Rock de respeito


Bateristas brasileiros costumam angariar respeito em estúdios e turnês no exterior quando se trata de música brasileira. No entanto, são poucos os brasileiros que se destacam e são respeitados gravando rock e metal. Acácio Cavalho é um dos que conseguiram entrar para este seleto grupo, e se mantém em Nova York gravando e tocando, pesado e forte. E ainda mantém seu trabalho com o Vougan, com a tranquilidade necessária para alcançar qualidade.

Você está morando nos EUA. Como apareceu a oportunidade para essa mudança?
Eu havia recebido alguns convites no passado para fazer trabalhos nos Estados Unidos, inclusive quando ainda tocava com o Dark Avenger, em Brasilia. Naquele momento não pude concretizar nenhum destes trabalhos, mas mantive os contatos. Em junho de 2009 fui para os Estados Unidos fazer uma turne com minha banda Vougan. A turnê durou cerca de dois meses e, a partir daí, comecei a fazer trabalhos com outras bandas e outros artistas. Desde então não parei mais de gravar material para bandas de rock e metal em geral.

Fale dos principais trabalhos que realizou.
Logo após a turnê do Vougan, gravei com a banda Quester, que é uma banda de Illinois, mas gravei as partes de bateria em Nova York, no estúdio Audio Piranha, que fica em Manhattan. Este trabalho foi produzido pelo Pablo Arraya, que é um produtor da Sony Music que já ganhou um Grammy e gravou bandas como Aerosmith e Lenny Kravitz, e foi co-produzido por Josh Kirsch, conhecido por produzir trilhas sonoras para comerciais de empresas como Mercedes, Coca-Cola e outras.
Agora estou trabalhando na pré-produção do novo disco da banda Single Bullet Theory, da Philadelphia. Devo entrar em estúdio para gravar o disco no final do mês de fevereiro e o material deve sair no verão daqui, em julho.

Na hora de criar as partes de bateria com bandas gringas faz diferença ser baterista brasileiro?
Na verdade, o fato de ser brasileiro faz sim alguma diferença. Quando as pessoas citam seu nome para alguma gravação, bateristas brasileiros são muito respeitados no mercado musical daqui. Mas o que faz a diferença de verdade é a qualidade do trabalho que você faz e o jeito com que você se relaciona com as pessoas. Sempre tento trazer alguma influência do Brasil para os trabalhos que gravo. Às vezes isso fica bem complicado, pois o produtor está sempre tentando manter o trabalho dentro de um certo "limite musical", mas de uma forma ou de outra acabo usando as minhas influências brasileiras, mesmo que discretamente.

E o Vougan, está rolando?
O Vougan deu uma parada logo após a turnê nos Estados Unidos. Escrevemos algum material para um próximo disco, mas no momento a banda está "de férias". Logo após os shows, tivemos uma série de problemas internos que surgiram em decorrência do mal planejamento da turnê por parte da equipe de produção da banda no país. Um dos principais fatores foi a discrepância entre os contratos de show e a realidade que a banda enfrentava durante a turnê. Somado a isso, tivemos uma série de problemas pessoais com nosso vocalista na época e, como consequência, acabamos tendo que tomar a decisão de afastá-lo da banda. No momento não estamos querendo forçar a barra com o Vougan. A banda foi fundada por mim, o Gus e o Hugo, seguindo o conceito de liberdade musical e qualidade em todos os aspectos. Temos a intenção de lançar material em breve, mas não vamos fazer nada que não seja pelo menos superior aos trabalhos anteriores. Por este motivo a banda está parada. Mas estamos planejando nossos próximos passos para que a alma e identidade da banda sejam mantidos, e o trabalho tenha sequência.

 

Conheça o trabalho e projetos de Acácio Carvalho através de seu site www.acaciocarvalho.com.

 

Fotos: Elaine Glovacz



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