
por Pércio Sápia
Incentivar. Esta é a palavra chave numa aula e qualquer pessoa que esteja estudando música vai trilhar o caminho com maior facilidade se for incentivado de verdade. Digo “de verdade” porque os alunos sentem quando você está ajudando e não “tirando uma com a cara dele”.
Tive muitas experiências nesse sentido como aluno e como professor. Como aluno: o Mestre Chumbinho entrava na sala pedia com muita educação que fosse feito um exercício e, na sequência, vinha ou um sorriso ou salva de palmas. Isso, obviamente, quando eu acertava. Quando o resultado não era satisfatório, o Mestre pedia para repetir o exercício incentivando o estudo e mostrando que se não deu de “cara”, era só estudar um pouco mais que você conseguia.
Um gesto que me fez pensar muito sobre esse assunto aconteceu com um amigo, infelizmente ja falecido, e também aluno do Mestre. Ele disse ao Chumbo que iria fazer um solo e pediu uma avaliação honesta, em seguida desferiu vários golpes no coitado do instrumento, uma Pinguim daquelas de casco madrepérola (quem estudou no CLAM lembra bem desses instrumentos). No fim do “solo” olhou para o Mestre e esperou o julgamento. Chumbinho tirou do bolso uma moeda de 1 centavo e disse: “isso é o que vale esse solo, tente outro dia que você vai conseguir”.
Ao contrário do que muitos pedagogos diriam sobre o caso, o efeito foi fantástico. Meu amigo andava com a moeda para cima e para baixo como um troféu, contando para quem quisesse ouvir a sua historia. E tem mais, desde então ele estudava como um louco. Sabia que o Mestre tinha sido honesto no julgamento e sabia que chegaria ao seu objetivo, tocar bem bateria. Dizer ao aluno como ele tem melhorado e mostrar o próximo passo é uma forma de fazê-lo tentar atingir o objetivo.
Quando comecei a dar aulas tinha em mente sempre o desejo de ajudar e ensinar ao aluno aquilo que ele precisava, e não o que ele queria. Isso provavelmente está comigo desde as aulas com o Mestre. E depois, fazendo o curso com os pedagogos professor Geraldo e Professora Maria Lúcia, no CLAM, isso ficou muito mais claro. É muito importante deixar o aluno com a sensação do “é possível” ao fim da aula. É claro que se você mostrar a ele um solo do Buddy Rich e dizer que é assim que tem que ser, esquece. Ele acaba desistindo do curso. Até temos que mostrar a verdade, mas sabendo do tamanho do abismo que existe entre ele, iniciante, e um músico já formado.
Que não é facil, todo mundo sabe. Mas que pode ser muito bom um curso em que as pessoas encontrem verdadeiros instrutores, professores, mentores, gurus e mestres, esse é o objetivo. A maioria dos alunos acredita no seu professor, ele escolheu você para ensiná-lo, então não jogue fora a oportunidade de criar um “ser musical”. Incentive-o ao máximo, mostre que acredita nele, dê a ele um grande aplauso. Afinal é disso que nós professores e músicos vivemos.
Se você tiver alguma dúvida, precisar de ajuda, quiser saber mais ou se gostaria que algum aspecto da relação aluno-professor seja analisado, entre em contato através do e-mail contato@obaterista.com