A África na bateria – 1/3

Por Bruno Balan


Olá galera!

 

A cada uma de nossas colunas apresentarei informações a respeito do vasto universo rítmico da música africana.

 

Vamos começar com o Afro Pop, gênero e conceito de se fazer música presente em Mali, caracterizado pela fusão de ritmos tradicionais do país com rock, pop, funk e blues. Uma maneira bem particular de se fazer música pop, sem abrir mão das características dançantes que a música africana tem.

 

O exemplo 1 é uma levada de oito compassos com uma sutil variação no tom 2 na segunda metade. Reparem que é uma levada “balançada”, com acentuações, aberturas de chimbal e utilização dos tambores com uma intenção percussiva.

 

 

No exemplo 2 temos a intenção oposta. O groove tem uma condução mais sincopada e usa de pausas. Uma ótima opção de groove se tiver um percussionista tocando junto, ou quando se quer um clima mais espaçado, que respire mais.

 

 

Agora um exemplo de característica bem dançante devido à marcação contínua do bumbo em semínimas e a condução do chimbal no contratempo. Reparem que a caixa é executada no aro agora.

 

 

Para finalizar, separei um groove que tem uma influência do blues que, segundo dizem, pode ter tido origem no país do Mali, opinião reforçada pelo fato dos escravos enviados para a colonização da América do Norte serem amplamente dessa área geográfica do continente africano. Trata-se de um compasso composto, mas não em 12/8, como no blues, e sim em 9/8. Atenção ao rulo na caixa no último tempo do compasso.

 

 

Os andamentos nos exemplos são uma referência importante, porém estudem aumentando a velocidade gradativamente, sempre de maneira relaxada e divertida. Velocidade e precisão na execução vem com o tempo e o estudo bem feito. Espero que aproveitem as lições adaptando esses ritmos a seu universo musical particular, criando novas possibilidades, sem nunca se esquecer da musicalidade contida em cada um dos exemplos. Um importante estudo complementar é a audição de artistas malineses, como por exemplo Salif Keita, Ali Farka Touré, Mamadou Diabate e Rokia Traoré.

 

Grande abraço e muito som!

 

Bruno Balan é baterista e percussionista, bacharel pela FAAM sob a orientação de Sérgio Gomes e Alexandre Damasceno. Suas atuações como sideman incluem Simone Pelissari, Rick Bueno (Trem da Alegria), Joice Santos (MTV), Miro Dottori, Beba Zanettini, Demma K, Batuque de Nagô, Olívia, Mona Gadelha, Gabriela Nader (FAMA), Paulo Neto (Ídolos), À Brasileira, Pedro Macedo, Silvio de Campos Quarteto, Michel Leme, Jorge Quase, Klaus Ximenes, entre outros.É Diretor Pedagógico dos cursos Bateria e Percussão do Instituto Groove Urbano. Contato: www.myspace.com/brunobalan.


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